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sábado, 9 de março de 2013

Quanto vale a vida de uma trabalhadora morta? Duas ambulâncias!


Quanto vale a vida de uma trabalhadora morta? Duas ambulâncias!


Se até o momento parecia impossível saber qual o valor de uma vida humana, agora Termo de ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Coagro e a Feliz Terra Agrícola Ltda com a Procuradoria do Trabalho do Muncípio de Campos dos Goytacazes já nos deu a resposta: duas ambulâncias. Veja mais abaixo nessa matéria do site URURAU.


Mas para mim fica a impressão de que se o morto não fosse uma mulher trabalhadora e pobre, o preço seria mais alto. De toda forma, essa vida humana saiu muito barata, mesmo porque ninguém vai ficar controlando/fiscalizando o uso final dos dois veículos. Ou será que isto foi previsto no TAC?

Fonte: http://pedlowski.blogspot.com.br/2013/03/quanto-vale-vida-de-uma-trabalhadora.html

Coagro faz doação de ambulância para Bombeiros de Campos após TAC

 Mauro de Souza
Acordo firmado com vistas à prevenção de acidentes nos canaviais

A Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro) e a empresa Feliz Terra Agrícola Ltda. firmaram Termo de Ajuste de Conduta (TAC), perante a Procuradoria do Trabalho no Município de Campos, com vistas à prevenção de acidentes nos canaviais próprios ou de terceiros à Coagro, na execução de atividades rurais. Há ainda a obrigação de providenciar a evacuação imediata dos trabalhadores do local, em caso de incêndio eventual provocado por terceiros.

A investigação originou-se a partir do acidente de trabalho ocorrido em setembro de 2009, no canavial da Fazenda Tocaia, localizada em Campos, quando a trabalhadora Cristina Fernandes dos Santos morreu, durante a queimada de palha da cana de açúcar.

A título de indenização por dano moral, as entidades comprometeram-se a doar duas ambulâncias (tipo UTI) ao Corpo de Bombeiros de Campos dos Goytacazes. A Coagro cumpriu a obrigação de entregar uma ambulância aos Bombeiros no último dia 7 de fevereiro.

O Procurador do Trabalho, Francisco Carlos da Silva Araújo, que participou da solenidade de entrega do veículo, afirmou que as ambulâncias deverão ser “utilizadas no atendimento às pessoas acidentadas, exclusivamente nos municípios de Campos e de São João da Barra”.



Indígenas retomam área na fronteira com o Paraguai e são ameaçados por pistoleiros

Indígenas retomam área na fronteira com o Paraguai e são ameaçados por pistoleiros




Cerca de 130 indígenas Guarani Kaiowá retomaram área invadida por fazenda no tekoha - aldeia - Kurusu Ambá, na noite de quinta-feira, 7, no município de Coronel Sapucaia (MS), fronteira com o Paraguai, onde estão armando acampamento. Na manhã de hoje, um grupo de homens armados em duas caminhonetes - identificadas pelos indígenas como de propriedade da fazenda retomada - se aproximou da área, ameaçando a comunidade.

"Nós estamos na beira da mata. Na noite [da retomada] correu tudo bem, mas hoje chegaram pistoleiros", explica uma liderança da retomada. "Eram umas 15 pessoas com algumas armas. Os carros são de uma fazenda daqui, a gente conhece. Um [dos veículos] chegou uns 100 metros [do acampamento], tinha pessoa na cabine e na caçamba e arma. A gente foi na direção, mas eles foram dando ré, e falaram que iam chamar mais gente pra voltar mais tarde", denuncia.  A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi informada, e deverá acionar a Força Nacional e Polícia Federal. Conforme os indígenas, a retomada ocorre em área incluída dentro de acordo judicial como reserva legal, onde a comunidade poderia ocupar e permanecer nas terras.   

"Queremos espaço pra andar, pescar, caçar, realizar nossa cultura e combater a fome", afirma a liderança. Há quatro fazendas incidindo sobre o território indígena de Kurusu Ambá, área de cerca de 18 mil hectares reivindicada pelos Kaiowá como território tradicionalmente ocupado por seus antepassados antes das espoliações do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), na primeira metade do século vinte.

Atualmente, a terra está em processo de identificação e delimitação. Com os prazos estourados, o relatório de identificação sobre o tekoha deveria ter sido publicado pela Funai em 2010, segundo Termo de Ajustamento de Conduta estabelecido pelo Ministério Público Federal. O relatório foi entregue pelo grupo técnico que realizou levantamento em campo, em 26 de dezembro de 2012, e aguarda aprovação da Funai de Brasília .

"Não aguentamos mais a miséria. A gente quer plantar o próprio sustento", afirma uma liderança de Kurusu Ambá. Enquanto esperam a demarcação da terra, as famílías vivem no trecho de reserva legal desde a terceira retomada do tekoha, em 2009. A área ocupada pelos indígenas totaliza 10 hectares e é toda rodeada por lavouras de soja.

A alimentação da comunidade é essencialmente suprida pelas cestas básicas distribuídas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). "A gente planta milho, feijão, mandioca, mas a terra é muito pouca. Nós retomamos porque simplesmente é humilhante ficar dependendo de cestas básicas", afirmam.


Em Kurusu Ambá, quatro lideranças da luta pela demarcação da terra foram assassinadas. Uma está ameaçada de morte e, apesar de incluída no Programa de Defesa de Defensores de Direitos Humanos do governo federal, denunciou não receber o monitoramento prometido pela plataforma.

Rastro de pólvora

A história de ameaças e assassinatos começa há seis anos atrás, durante a primeira tentativa de retomada do território tradicional. Na madrugada do dia 10 de janeiro de 2007, cerca de 40 pessoas em 10 caminhonetes cercaram o acampamento de Kurusu Ambá, disparando tiros contra os indígenas. Na ocasião, a ñande sy – rezadora – Xurete Lopes, de 73 anos, foi assassinada a tiros. Outro Kaiowá também foi ferido com três tiros na perna. Nesse conflito, o proprietário de uma das fazendas que incide sobre o território reivindicado "emprestou" um trator para os indígenas que haviam retomado a área para, logo depois, denunciar na polícia que os indígenas haviam "roubado" a máquina agrícola, incriminando-os e levando lideranças para a prisão.

Na segunda tentativa de retomada, em julho de 2007, Ortiz Lopes foi morto. Em 2009, na terceira reocupação, Oswaldo Lopes foi assassinado. Outros cinco indígenas da comunidade têm cicatrizes de feridas de balas pelo corpo, atingidos durante ataques de seguranças particulares contra o grupo.

Em 2011, na quarta retomada, o professor e membro da Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros (APIB), Eliseu, uma das principais lideranças daquela retomada, foi ameaçado de morte e retirado da aldeia, para onde até hoje não pode retornar.

Nenhum inquérito sobre estes assassinatos foi concluído. Os ataques permanecem impunes. Os assassinos nunca foram levados a julgamento.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Mais de 650 milhões de mulheres, condenadas à fome e à pobreza anualmente


Mais de 650 milhões de mulheres, condenadas à fome e à pobreza anualmente

Em preparação à celebração do Dia Internacional da Mulher, neste 08 de março, a Manos Unidas denunciou as enormes desigualdades que a mulher em todo o mundo sofre, mas especialmente nos países mais pobres, porque ela é protagonista fundamental do desenvolvimento dos países do Sul.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 06-03-2013. A tradução é do Cepat.

Denunciou que enquanto a mulher continuar sendo vítima de injustiças, violência e desigualdades no lar e no campo profissional, o fenômeno da “feminilização da pobreza” continuará sendo uma realidade para milhões de mulheres em todo o mundo.

Os dados falam por si. São mulheres:

- mais da metade das 1,3 milhão de pessoas em situação de pobreza extrema
- as 2/3 partes das pessoas analfabetas do mundo (666 milhões)
- as que sofrem falta de cuidados sanitários, especialmente durante a gestação
- as que sofrem abusos sexuais e comércio humano (2 milhões ao ano)
- as que são obrigadas ao casamento inclusive antes de chegarem à maioridade
- as que não têm acesso a recursos naturais e ao crédito
- as discriminadas pelo acesso ao trabalho e ao crédito.

Estes dados estão muito presentes na Manos Unidas em 2013, já que, durante todo este ano, a sua Campanha 54está centrada no Terceiro Objetivo do Desenvolvimento do Milênio e, a partir do lema: “Não há justiça sem igualdade”, busca promover o desenvolvimento da mulher e a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.

O 8 de março é conhecido popularmente como o Dia da Mulher Trabalhadora, e por isso, a Manos Unidas denuncia também que o trabalho realizado pelas mulheres é sempre o mais vulnerável. No mundo, as três zonas onde mais mulheres são afetadas por esse tipo de emprego vulnerável são: a África Subsaariana (85%), a África Setentrional (44%) e a Ásia ocidental (41%).

Nas áreas rurais, as mulheres sofrem com os empregos temporários, de tempo parcial, mas remunerados e recebendo salários menores pelo mesmo trabalho que os homens.

Além disso, a mulher deve conciliar o seu trabalho em casa com o papel de mãe, educadora e produtora de alimentos, razão pela qual suas oportunidades de trabalho remunerado são inferiores às do varão.

Manos Unidas defende que a igualdade necessita de um modelo de desenvolvimento integral, que afeta todas as dimensões da pessoa e que seu centro é a dignidade humana. Por isso, o reconhecimento dos direitos da mulher e o desenvolvimento de suas capacidades não é apenas uma prioridade, mas o eixo transversal que se encontra presente em todas as nossas iniciativas de sensibilização e em todos os nossos projetos de desenvolvimento.

Manos Unidas presta especial atenção à situação de tantas mulheres que sofrem de fome, pobreza, analfabetismo, discriminação, etc. Por isso, em 2012, a entidade aprovou 83 projetos voltados exclusivamente para a promoção e o desenvolvimento da mulher (40 na Ásia, 26 na África e 17 na América) e destinou a eles cerca de 5 milhões de euros.

terça-feira, 5 de março de 2013

Marina dos Santos no Brasil de Fato: “É preciso superar a impunidade”


Marina dos Santos no Brasil de Fato: “É preciso superar a impunidade”

Marina dos Santos, dirigente do MST aponta cumplicidade do poder público em relação às mortes no norte fluminense


Alan Tygel e Vivian Virissimo, de Campos dos Goytacazes (RJ)

A violência em Campos dos Goytacazes, região norte do Rio de Janeiro, ocorre com a cumplicidade do poder público que não garante apoio aos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É o que afirma a dirigente estadual do MST, Marina dos Santos, em entrevista ao Brasil de Fato. Além de apresentar um resgate da conjuntura de violência e impunidade em Campos, ela comenta os dois brutais assassinatos de trabalhadores rurais do Assentamento Zumbi dos Palmares.

“Há uma profunda precariedade na execução das políticas públicas, dando espaço para o poder local de concentração da terra, o latifúndio, ficar à vontade na exploração da mão de obra, agir de forma violenta e com ameaças aos trabalhadores. A impunidade é uma marca forte na região”, contou Marina. Líder do acampamento Luís Maranhão, localizado na Usina Cambahyba, o assentado Cícero Guedes foi executado com dez tiros em uma emboscada no dia 26 de janeiro. Onze dias depois, a também assentada Regina dos Santos Pinho foi encontrada com um lenço amarrado no pescoço em sua casa.

Marina também faz um balanço do panorama da reforma agrária no governo da presidenta Dilma Rousseff. “Seria muito importante a presidenta dar uma sinalização concreta de avanço na conquista de terras e desenvolvimento dos assentamentos ou o governo dela vai passar como o que teve pior desempenho dos últimos anos na reforma agrária, desde os governos da ditadura militar”, criticou.


Brasil de Fato - Você participou das primeiras ocupações na região de Campos, há 16 anos. Durante este tempo, foram diversos casos de violência contra trabalhadores sem terra. Em algum deles houve julgamento e punição dos responsáveis?

Marina dos Santos - A violência contra trabalhadores pobres na região, especialmente os que se organizam e lutam por melhores condições de vida, é histórica. No caso do MST, desde a primeira ocupação, nas terras da Usina São João, hoje Assentamento Zumbi dos Palmares, é diária. Uma violência permitida, com cumplicidade pelo poder público, uma vez que não garantem políticas públicas de apoio à produção e infraestrutura das áreas. Há uma profunda precariedade na execução das políticas públicas, dando espaço para o poder local de concentração da terra, o latifúndio ficar a vontade na exploração da mão de obra, agir de forma violenta e com ameaças aos trabalhadores. A impunidade é uma marca forte na região. É preciso superar esse estado de impunidade, julgando e punindo os responsáveis por tanta barbaridade.

O caso da assentada Regina dos Santos Pinho tem elementos fortes de violência contra a mulher. Isso difere o caso de outros, ou confirma uma tendência maior de violência de gênero?

As autoridades policiais ainda não desvendaram os motivos do assassinato da Regina. Ao que tudo indica foi um caso de violência sexual. Foi um crime bárbaro. E faremos pressão para que esse assassinado seja investigado, julgado e que os responsáveis sejam penalizados. Isso só demonstra o descaso a que são submetidos os assentamentos da região. Regina é mais uma vítima de um sistema de extermínio, exploração e marginalização daqueles que ousam lutar por um mundo mais justo e digno através da reforma agrária, num contexto de dominação do latifúndio onde as relações culturais reproduzem essa violência instalada.

Campos é uma das cidades mais ricas do país, com cerca de 80 latifúndios. Como esse contexto de concentração de renda e disputa fundiária ajuda a entender essa onda de violência que atinge o MST?

Campos é um município muito rico, recebe muito dinheiro dos royalties, mas isso não representa mudanças sociais e econômicas para os segmentos menos favorecidos da população, é uma das cidades que tem mais pobres no Brasil, a maioria da população vive de cestas básicas e programas de compensação social. É uma vergonha como os governos local e estadual tratam a população com um sistema populista e os mais privilegiados continuam sendo os grandes proprietários.

Como você analisa o caráter desta violência na região? As raízes são somente a questão da disputa fundiária, ou há outros elementos?

As raízes desse sistema se sustentam mantendo os camponeses reféns de uma política oligárquica e latifundiária operada pelo Estado brasileiro que financia descaradamente um modelo de desenvolvimento concentrador e explorador da terra. Esse modelo é responsável pela desigualdade social, que mantém o processo de concentração do poder, nega os direitos à população e garante uma péssima distribuição de recursos e não permite aos povos do campo o direito a uma cidadania real através da implementação de uma efetiva política de Reforma agrária. Um exemplo real disso é o orçamento mínimo da atual Secretaria de Agricultura do município que mostra o total descaso às necessidades da agricultura familiar camponesa, ao mesmo tempo, em 2009, Campos foi considerada pela OIT o município com maior índice de trabalho escravo do Brasil.

Como está o clima na ocupação da Usina Cambahyba após os crimes? Como o movimento tem lidado com o medo dos acampados diante desses dois casos recentes de violência?

Os assassinatos do Cícero e da Regina trouxeram um clima de insegurança em toda a região. Em todos os acampamentos e assentamentos as famílias estão se sentindo tensas, inseguras e fragilizadas, mas estamos pressionando as autoridades locais e nacionais para que olhem pra essa realidade e dediquem esforços no sentido de investigar, descobrir os responsáveis por tanta violência e prender os mandantes e executores. É preciso que haja julgamento, condenação pública e justiça.


Essa violência é mais acentuada em Campos dos Goytacazes do que no resto do estado? Qual o panorama brasileiro de violência contra os assentados e acampados?

Campos está localizada na região Norte/Noroeste, que representam 35,3% da área total do Estado, com prioridade na produção agrícola. As usinas canavieiras sempre foram financiadas com recursos públicos, mas sem controle nenhum. Elas sempre fizeram mau uso do recurso público, tanto que quase todas faliram e mantém altíssimas dívidas com a União, através da Fazenda Nacional, a Cambayba é um grande exemplo. Então, esses usineiros da região nunca tiveram nenhum escrúpulo seja com o dinheiro público, seja com os direitos trabalhistas, sempre utilizaram da força e violência. Isso gerou uma cultura forte na região de milícias, jagunçagem e pistolagem que parece uma terra sem lei.

Sobre o caso do Cícero dos Santos. Caso se confirme a hipótese de que o mandante e os assassinos eram ligados ao tráfico de drogas: como o MST lida com isso? Que tipo de procedimentos são feitos para tentar garantir que as áreas ocupadas fiquem livres de outros interesses que não a luta pela terra?

Nosso papel de movimento social é continuar organizando o povo, pressionado o Incra para que garanta os critérios estabelecidos para aprovação de quem pode ser assentado. É preciso que o Incra seja contundente na seleção das famílias para garantir um bom assentamento. Queremos fazer da Usina Cambahyba um assentamento de famílias com tradição na agricultura camponesa, participativo, de trabalhadores, com participação da sociedade, das universidades locais, das entidades e movimentos sociais que sempre estiveram presente na luta pela terra e pela reforma agrária. Um assentamento que seja um outro modelo de desenvolvimento da região, baseado na agroecologia, na produção de alimentos saudáveis, na recuperação e preservação ambiental, construindo outras relações culturais baseadas na solidariedade.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que não são comuns os casos de violência em assentamentos. Apesar desses dois casos, o MST segue defendendo a reforma agrária como forma de reduzir a violência no campo?

O MST do Rio não vai ceder um milímetro de suas ações na luta pela democratização da terra e realização da reforma agrária. Mesmo o estado do Rio de Janeiro sendo tão urbanizado, a questão agrária não se difere de outros, o índice de Gini comprova isso em relação a concentração da terra, o uso intensivo que as grande propriedades e usinas canavieiras fazem de agrotóxico, destruição ambiental e utilização de mão de obra escrava para garantir seus lucros. Sem contar a ação do grande capital, como o exemplo do Porto do Açu em São João da Barra (empreendimento do Eike Batista), que tem expulsado os camponeses, destruído o meio ambiente e tem apoio financeiro e político público para esse projeto. Vamos continuar denunciando esse projeto da morte, do desenvolvimento insustentável e concentrador e defendendo a reforma agrária como forma de garantir cidadania e dignidade aos mais pobres, como perspectiva de futuro. Setores da imprensa têm argumentado que o avanço do capitalismo no campo acabou com o latifúndio improdutivo e que, portanto, a reforma agrária é “desnecessária”.

Como o movimento reage a esse posicionamento de donos dos meios de comunicação?

Os grandes meios de comunicação fazem parte da associação do agronegócio no Brasil. Eles têm gerado uma grande confusão na população com suas mentiras. É importante dizer que o capitalismo não acabou com o latifúndio improdutivo e nem que as propriedades modernizadas representam um desenvolvimento para nosso país. A população tem que refletir que tipo de desenvolvimento é esse, quem está lucrando e se beneficiando com isso. O agronegócio tem uma articulação muito grande em diversos setores da sociedade, seja no Congresso Nacional, no judiciário, nos meios de comunicação e em vários setores do executivo. Sua ações têm sido sempre para defender seus interesses, como o caso do Código Florestal.

O MST vem afirmando na imprensa que o governo federal é resultado de uma composição de classes. Como você avalia a possibilidade de avanço da luta pela terra no Brasil neste contexto histórico?

Está claro que o governo é de composição de forças políticas e sociais, o capital e o agronegócio têm muito poder nos aparatos do Estado brasileiro. O governo não tem força para uma proposta de reforma agrária. O pior é que o governo faz opção clara pelo agronegócio, demonstra tanto pelo discurso político da maioria dos ministérios como a liberação de recursos para as grandes empresas. Não existe uma ação do governo de democratizar a terra e para enfrentar o latifúndio improdutivo.

O MST, levando em conta o estágio atual do capitalismo, já não defende mais a reforma agrária clássica vinculada somente aos interesses do desenvolvimento do mercado interno para a indústria. Como uma reforma agrária popular, que solucione os problemas dos trabalhadores rurais, pode ser viável no atual contexto?

Defendemos a reforma agrária popular, em que o governo resolva os problemas emergenciais que há com as mais de 80 mil famílias acampadas em todo o país, garantindo o assentamento imediato delas. E junto com isso, uma ação de desconcentração da terra, punindo o latifúndio acompanhado de políticas de desenvolvimento que garantam em primeiro lugar passar da produção de monocultivos para exportação, para a produção de alimentos, com fartura, qualidade e preço baixo para toda a população desde o campo às cidades, garantindo a soberania alimentar. Em segundo, garantir a construção de pequenas agroindústrias no campo, como forma de geração de empregos, renda e agregar valor à produção. Em terceiro, garantir educação – enfrentar o analfabetismo e ter escolas técnicas e acesso às universidades para toda a juventude.

Recentemente a presidenta Dilma Rousseff sinalizou que recursos do BNDES serão usados não só para dar sustentação à produtividade nos assentamentos, mas também para ampliar o ritmo de desapropriações e legalizações de terras. Como o MST avalia isso?

Seria muito importante a presidenta dar uma sinalização concreta de avanço na conquista de terras e desenvolvimento dos assentamentos ou o governo dela vai passar como o que teve pior desempenho dos últimos anos na reforma agrária, desde os governos da ditadura militar. Se ela quiser, apesar das diversidades de seu governo, tem como ampliar os recursos, reestruturar o Incra, avançar nas desapropriações e investir na infraestrutura dos assentamentos. E isso, acho que passa pela opção de desenvolvimento e investimento da presidenta Dilma. Certamente, estaria pagando uma dívida histórica não só com os sem terras, mas com toda a população brasileira.

Chávez vive e a luta segue


Chávez vive e a luta segue


 “Chavéz vive, a luta continua” e “Viva Chávez, carajo” foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos milhares de venezuelanos reunidos na praça Bolívar para homenagear Hugo Chávez; Evo Morales (foto) também se pronunciou
05/03/2013

da Redação 

Atendendo à convocação do vice-presidente Nicolás Maduro, milhares de venezuelanos dirigiram-se à Praça Bolívar para homenagear Hugo Chávez, gritando palavras de ordem como “Chavéz vive, a luta continua” e “Viva Chávez, carajo”. A comoção se estendeu a membros do governo, como o ministro da habitação Ricardo Molina que, em entrevista à Telesur, ressaltou a importância de dar “prosseguimento ao processo político bolivariano”, destacando o “compromisso de vida para garantir a construção de uma pátria socialista e de um mundo mais justo, equilibrado”.
Molina reconheceu também a responsabilidade dos envolvidos com a revolução bolivariana. “Nós, venezuelanos, que acreditamos nos verdadeiros valores humanos, devemos seguir cada vez mais unidos para garantir o futuro do país”, disse apontando que tudo foi construído e continuará sendo construído porque, para ele, “Chávez está no coração do povo”.

Duelo nacional
Para o presidente do Banco Central venezuelano, Nelson José Merentes Diaz, não é possível negar que existe um duelo de forças políticas antagônicas no país, mas, no momento, é preciso seguir o que diz a Constituição. “Estamos em um momento em que, apesar do sofrimento, precisamos buscar a reflexão e o trabalho. Vamos apoiar o que está traçado na Constituição."
Com relação à política de condução da economia venezuelana, Merentes Diaz disse que o país deve continuar negociando com as nações que fazem parte da Alba. “Seguiremos nessa arquitetura de sermos menos dependentes do capital do Norte”, concluiu.

Ameaça imperialista
O historiador nicaraguense Aldo Diaz Lacayo destacou a importância de Chávez na história de luta pela liberdade nas Américas, comparando-o a figuras como Martí, Bolívar e Fidel Castro. “Sem Chávez, o mundo não seria o que é hoje. Todos estão conscientes de que a rota traçada por ele deve continuar. Chávez recuperou a esperança para a humanidade”, afirma.
Para Lacayo, no entanto, a Venezuela – e todo o continente, consequentemente – deve preparar-se para uma ofensiva imperialista.“O império tem feito uso permanente da violência em todas as suas formas em toda a América do Sul - com sua frente política e de inteligência. Temos que continuar o que Chávez vinha fazendo e apoiar Nicolás Maduro que está reafirmando a soberania nacional venezuelana e se preparando para uma escalada do ataque imperialista em todas as frentes, inclusive militar. Todos os povos sul-americanos devem estar atentos.”
Em pronunciamento oficial, o presidente boliviano Evo Morales mostrou-se preocupado com a possibilidade de forças conservadoras aproveitarem o momento para fomentar a desordem e a desunião. “As oligarquias e o império estão em festa, enquanto aqueles que lutam pela igualdade sofrem. Desejo muita força ao povo venezuelano neste momento. Muita força e muita unidade para lutar por nossa liberdade, para trabalhar pela igualdade dos povos do mundo e contra as forças imperialistas”, afirmou.

Cacique Yukpa Sabino Romero é assassinado na Venezuela

Cacique Yukpa Sabino Romero é assassinado na Venezuela


Sabino Romero Izarra, cacique de Chaktapa, foi assassinado na manhã de domingo, 03 de março, por volta das 7hs. Ele era um dos principais líderes indígenas da Venezuela e há muitos anos vinha sofrendo sucessivas ameaças de mortes por fazendeiros. Apesar das inúmeras denúncias, o governo da Venezuela nunca adotou as medidas devidas para proteger sua vida. Sabino foi um grande defensor dos direitos territoriais indígenas. Seu pai também foi assassinado em decorrência da luta pela terra.

O assassinato teria ocorrido por volta das 19 horas de domingo, na rodovia de El Tukuko, distrito Libertad, município de Machiques de Perijá, no estado de Zulia. Ao que tudo indica, Romero foi vítima de emboscada, sua esposa Lucia Martinez, que o acompanhava, ficou ferida.

Sabino Romero é mais uma vítima do agronegócio - cuja fúria sanguinária não obedece fronteiras - e da política nacional-desenvolvimentista do governo venezuelano, que não consegue perceber a pluralidade de povos e culturas daquele país.




domingo, 3 de março de 2013

Índios estudam em locais improvisados em aldeia de Dourados


Índios estudam em locais improvisados em aldeia de Dourados




Crianças indígenas da Escola Tangatuí Marangatu estão estudando em salas improvisadas em Dourados. A denúncia é do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação).
Conforme o sindicato, as estradas de acesso estão em más condições, e dificuldade em chegar às salas de aula reflete diretamente na educação.
Novas salas foram prometidas pelo governo, sendo uma extensão da escola, mas até então elas não foram construídas, e as aulas são dadas a cerca de seis meses em um antigo armazém de grãos.
Ventiladores e janelas foram instalados no local recentemente, depois de inúmeras reclamações, mas o Simted afirma que a falta de estrutura do local é maior ainda.
Um exemplo são os banheiros, que em péssimas condições, falta até uma porta em um deles, e o bebedouro fica fora em local sem cobertura e abrigo contra sol e chuva. De acordo com a Associação de Professores da Aldeia, foi constatado que várias crianças abandonaram as aulas por causa da falta de estrutura, mesmo antes do final do ano escolar.
A Associação de Professores da Aldeia ainda explica que em dias de chuva os alunos não conseguem chegar à escola, e durante os dias de forte calor, as cadeiras precisam ser levadas para outro ambiente, pois os alunos indígenas passam mal.
Outra reclamação é que as escolas estão sem funcionários e coordenadores, sejam professores ou da área administrativa e manutenção. A Associação acredita que é necessária a construção de quatro salas. Amanhã (28), os indígenas se reúnem para tomar decisões sobre a situação.
A reportagem entrou em contato com assessoria de imprensa da Prefeitura de Dourados, que ficou de enviar uma resposta sobre o caso. A resposta não foi recebida até o fechamento da matéria.

Banheiro usado pelos alunos está em situação precária (Foto: Divulgação)
       Banheiro usado pelos alunos está em situação precária